Por que Toda a Casa Se Enchia Com o Mesmo Cheiro Quando o Simit de Forno de Pedra Chegava À Mesa À Sombra da Casa da Avó e À Luz dos Filmes Antigos

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🇵🇹 Por que Toda a Casa Se Enchia Com o Mesmo Cheiro Quando o Simit de Forno de Pedra Chegava À Mesa À Sombra da Casa da Avó e À Luz dos Filmes Antigos

Houve um tempo em que, quando o simit de forno de pedra entrava em casa, seu cheiro se espalhava não só pela cozinha, mas por todos os cômodos. Antes mesmo de chegar à mesa, o anel coberto de gergelim deixava um rastro quente pelo corredor, pela sala, pelo vão das cortinas e pelos móveis. Esse aroma parecia ainda mais forte na casa da avó, porque nesses lugares cada alimento tinha sua própria forma de entrar em cena. Quando o simit chegava, a água do chá era colocada novamente, os pratinhos eram preparados, e os filmes antigos na televisão passavam a ser vistos com atenção ainda maior. O leve tom tostado do forno de pedra, o cheiro torrado do gergelim e a sombra conhecida da casa se juntavam até que um lanche simples se transformava em um sinal capaz de reunir toda a casa em torno do mesmo sentimento. Pela ótica da memória do paladar, o simit de forno de pedra carrega não apenas farinha e gergelim, mas também os ritmos da manhã e do fim da tarde do bairro. Saído do forno, ele é reconhecido na hora pela casca crocante e pelo miolo firme, mas sua qualidade mais duradoura está na reação comum que sua chegada provoca em casa. Uma pessoa o parte ao meio e come com queijo branco, outra o molha no chá, outra vai beliscando devagar enquanto deixa cair gergelim por todo lado. As formas de comer mudam, mas a sensação de reunir-se em torno do cheiro permanece igual. Especialmente na casa da avó, o simit fazia mais do que matar a fome; era um dos sinais mais familiares de estar preparado para uma visita inesperada, para uma sessão de filme que se estendia ou para a chegada animada dos netos. Parte da força desse simit na memória vem também da maneira como era produzido. As antigas padarias de bairro se anunciavam pelo cheiro antes mesmo de a pessoa alcançar a porta. O aroma profundo criado pelo contato da massa com a pedra quente era um convite que transbordava para a rua, diferente da ordem fechada de muitas vitrines de hoje. Por isso, um simit levado para casa nunca era apenas algo comprado; ele trazia consigo a padaria, o ar da rua e o calor da mão que o carregou. Na sombra da casa da avó esse cheiro ficava ao mesmo tempo mais intenso e mais macio. Os familiares sob a luz dos filmes antigos acompanhavam as cenas em preto e branco enquanto se voltavam também para o vapor e as migalhas saindo do saco de papel. Cheiro, imagem e proximidade familiar atuavam juntos. À luz dos filmes antigos, o simit tinha ainda outro significado: ele relaxava a noite sem quebrar sua delicada compostura. Era um daqueles alimentos que não exigiam talheres, nem longa preparação, mas ainda assim levavam um pequeno cuidado à mesa. Um prato de azeitonas, um pouco de queijo, chá recém-passado e simit de forno de pedra bastavam para a casa montar sua própria cena íntima de fim de tarde. Hoje os lanches rápidos podem ser mais variados, mas a força do simit de encher a casa com um único cheiro vinha não apenas do sabor, e sim do momento em que aparecia. Quando aquele aroma chegava, todos entendiam que a noite passaria a ser vivida em conjunto. Talvez a casa inteira se enchesse com o mesmo cheiro porque o simit vinha não só do forno, mas de toda uma ordem de memória. A sombra fresca da casa da avó, a luz trêmula da televisão, o vapor fino do chá e o calor do gergelim são lembrados juntos, nunca separados. Por isso, quando o simit de forno de pedra volta à lembrança, não se recorda apenas um sabor, mas a forma de a casa se reunir, o ritmo da partilha e a proximidade simples, porém forte, das antigas noites. Seu cheiro permanece não apenas como aroma de comida, mas como cheiro de vidas que se aproximam da mesma mesa.