Houve um tempo em que o momento em que uma impressora matricial começava a funcionar produzia dentro de casa o efeito de uma pequena cerimônia. Diferentemente das impressões perfeitas de hoje, obtidas com um único toque, naquela época o som da máquina era tão importante quanto o texto que aparecia no papel. Colocada ao lado do computador, num canto da sala, a impressora puxava a folha pelos furinhos laterais e avançava devagar, enquanto a cabeça de impressão batia de um lado para o outro e espalhava um ritmo metálico por toda a casa. As crianças se aproximavam com curiosidade, os adultos verificavam se o papel estava entrando reto, e ninguém tinha vontade de falar alto. A máquina não estava apenas imprimindo um texto; estava levando para dentro da casa o som de uma nova relação com a tecnologia. Essa emoção silenciosa costumava vir acompanhada de disquetes coloridos comprados no centro, da primeira mesa de computador escolhida depois de muita observação nas vitrines e da luz da tela, ainda estranha, mas fascinante.
Do ponto de vista do patrimônio tecnológico, os dias das impressoras matriciais representam um período em que as famílias conheceram o mundo digital com cautela e entusiasmo ao mesmo tempo. Quando o computador ainda não existia em todas as casas, e mesmo nas que existia era tratado quase como um hóspede de respeito, a impressão de uma folha criava uma sensação palpável de avanço. Um dever de escola, uma carta, um convite ou até algumas linhas impressas só para teste podiam ganhar importância dentro da família. Ao arrancar as tiras perfuradas das laterais do papel, parecia que pequenos sinais de uma nova época estavam saindo de dentro da máquina. Esse hábito nascia não apenas de uma necessidade prática, mas do desejo de observar a tecnologia entrando aos poucos na vida doméstica. Fitas de impressão, cartuchos e formulários contínuos pendurados entre a papelaria e a loja de eletrônicos no meio da multidão do bazar também faziam parte da imagem dessa nova fase.
A emoção silenciosa das famílias reunidas na sala vinha um pouco do fato de a máquina ser um espetáculo compartilhado. Não era como a televisão, vista à distância. Todos chegavam perto, alinhavam o papel, se curvavam para ler as linhas que surgiam e trocavam olhares quando um caractere saía errado. Ver o nome de uma criança impresso pelo computador pela primeira vez já era suficiente para causar espanto. Cada batida da impressora fazia sentir que as letras estavam sendo gravadas fisicamente na folha; por isso, imprimir ainda não era um processo invisível. Nos bairros onde poucas casas tinham computador, essas casas às vezes imprimiam tarefas para os filhos dos vizinhos, preparavam um requerimento para algum funcionário público ou passavam a limpo um texto a ser enviado ao filho no serviço militar. Assim, a impressora matricial deixava de ser apenas um objeto doméstico e se tornava uma ferramenta de utilidade quase pública. A tecnologia começava na sala e se espalhava pelas relações do bairro.
Outra razão para esse hábito não ter sido esquecido é que as folhas impressas acabavam virando lembranças. Às vezes a tinta falhava um pouco, às vezes uma linha saía torta, e às vezes as laterais perfuradas deixavam sobre a mesa pequenas curvas brancas depois de arrancadas. Mas eram justamente essas imperfeições que tornavam a impressão pessoal e ligada à sua época. Um poema escolar, uma carta escrita no computador pela primeira vez, uma lista da família ou um cartão de felicitação podiam ficar guardados em gavetas por muitos anos. O sentimento escondido como no verso de um cartão-postal em meio à multidão do bazar era exatamente esse: o rosto supostamente frio da nova tecnologia era lembrado junto com cenas muito quentes de casa. Barulhenta, lenta e dependente de paciência, a impressora era uma das formas mais tangíveis da emoção digital antes da era da velocidade.
Hoje o som da impressora matricial pode parecer distante para muita gente, mas, para quem se lembra do clima das casas daquele período, esse ruído continua reconhecível. O que permanece não é apenas o aparelho, mas a postura das pessoas reunidas ao redor dele. Na sala, numa tarde em que a luz já estava mais baixa e todos esperavam a impressão terminar, era possível ver um daqueles raros momentos em que a tecnologia se tornava doméstica. É por isso que os dias das impressoras matriciais ficaram na memória: porque foram anos em que o som da máquina e o silêncio da família existiram ao mesmo tempo, e em que uma novidade trazida do bazar para casa se transformava numa lembrança tão pessoal quanto um cartão-postal.
Os Dias das Impressoras Matriciais: Por que um Hábito que Cresceu Com a Emoção Silenciosa das Famílias Reunidas na Sala Nunca Foi Esquecido, Como Se Estivesse Escondido no Verso de um Cartão-Postal no Meio da Multidão do Bazar

Eski Pano