Houve um tempo em que um joystick parado entre caixas empoeiradas e fios na vitrine de uma loja de eletrônicos não era apenas um aparelho com cara de brinquedo. Era o sinal de outra emoção entrando dentro de casa. O console aproximado da televisão, as crianças esperando a imagem ficar nítida enquanto a antena era girada um pouco para a direita e um pouco para a esquerda, e os pais inclinados com paciência sobre o aparelho transformavam esse pequeno objeto em um dos milagres silenciosos da antiga vida urbana. Quando a tela chiada de repente se organizava, parecia que não apenas os pixels, mas a própria esperança ficava mais clara. Para os consertadores do bairro, por sua vez, um joystick não era um pedaço de plástico a ser jogado fora quando quebrava. Era algo que podia ser chamado de volta à vida com chave de fenda, cheiro de solda e habilidade de ofício. Por isso ele sempre guardou a possibilidade de uma segunda vida.
Pelo olhar do legado tecnológico, o joystick não é apenas um acessório de jogo, mas a memória palpável de um período preso entre o analógico e o início do digital. Naqueles anos, a tecnologia ainda não era tão fechada quanto hoje. Se um botão afundasse, podia ser aberto; se um cabo perdesse contato, podia ser desencapado e ajustado; as teclas às vezes voltavam a funcionar depois de uma limpeza simples. Os técnicos de televisão, instaladores de antena e pequenos lojistas de eletrônica dos bairros mais afastados eram, por isso, portadores invisíveis da cultura tecnológica. Eles não consertavam apenas aparelhos, mas também o entusiasmo das pessoas. O esforço para que o jogo da criança não ficasse pela metade, para que o irmão mais velho pudesse jogar com os amigos à noite, ou para que o único entretenimento da casa voltasse a funcionar transformava objetos como o joystick em algo maior do que simples coisas.
A sensação de “esperança que ficava mais nítida à medida que a antena era girada” pode parecer exagerada na era atual das conexões sem falhas, mas naquele tempo conseguir a imagem já era um momento coletivo de expectativa. Uma pessoa ficava ao lado da televisão perguntando “agora melhorou?”, outra mudava a direção da antena na varanda ou na janela, e as crianças prendiam a respiração diante da tela. A tecnologia virava um pequeno ritual doméstico vivido em conjunto. O joystick era o objeto finalmente tomado nas mãos ao fim desse ritual. Portanto, a questão nunca foi só jogar; era também o sentimento de esperar, ajustar e conseguir antes de a partida começar. Por isso o joystick permanece na memória junto com a imagem clareando, a luz do fim de tarde e os gritos curtos de alegria dentro do quarto.
O fato de ele ganhar uma segunda vida nas mãos dos consertadores também pertence à ética dos objetos daqueles anos. Quando algo quebrava, não era jogado fora de imediato; primeiro se pensava em a quem mostrar. Nas pequenas oficinas escondidas em ruas estreitas, os mestres apalpavam o cabo do joystick, trocavam o plugue, abriam a carcaça e fixavam a peça que se soltou por dentro. Sobre a bancada, fio de solda, alicate pequeno, tampa plástica rachada, um copo de chá e o som baixo do rádio faziam do próprio conserto parte da cultura cotidiana da cidade. Quando a criança voltava para buscar o aparelho, o técnico às vezes dizia “não aperte tão forte, senão quebra de novo”, e às vezes nem cobrava, respeitando apenas a intimidade do bairro. Essa volta dos objetos à circulação tornava a tecnologia mais resistente e mais próxima na vida urbana antiga.
Hoje, quando se fala em joystick, muita gente pensa em aparelhos mais lisos, mais rápidos e facilmente substituíveis. Justamente por isso a segunda vida que os joysticks antigos ganhavam nas oficinas parece ainda mais significativa. Eles foram testemunhas de anos em que o vínculo entre uso e conserto ainda não tinha sido rompido. A esperança que ficava mais nítida ao girar a antena não pertencia apenas à tela. Era também uma crença de que o objeto podia voltar a funcionar, de que o trabalho ainda tinha valor e de que uma pequena alegria podia regressar por meio do reparo. Se essas cenas na beira da antiga vida urbana são lembradas como se tivessem acontecido ontem, é porque o joystick não era apenas tecnologia, mas também um objeto de espera, conserto e alegria compartilhada.
Joystick: Explica por que, Dentro da Esperança que Ficava Mais Nítida À Medida que a Antena Era Girada, Encontrou uma Segunda Vida nas Mãos dos Consertadores, Como Se Fosse Ontem na Beira da Vida Urbana Antiga

Eski Pano